A agricultura brasileira terá a partir do fim do ano sua primeira rede de monitoramento via satélite.
O sistema, liderado pelo pesquisador da Embrapa Instrumentação Agropecuária de São Carlos, Paulo Cruvinel, já está em fase de teste e usará imagens de satélite e banco de dados on-line para saber se a produção de determinada fazenda corre riscos.
Serão monitorados desde eventos climáticos até a possibilidade de calote e o cumprimento de leis ambientais.
De posse das informações, o produtor poderá planejar do período ideal de colheita aos contratos de escoamento da produção.
As seguradoras poderão premiar com descontos os proprietários, cujas áreas apresentarem as menores médias de risco e até saber se seus segurados de fato plantaram e vão colher.
O sistema é fruto de um convênio entre a Embrapa, a seguradora Allianz, uma empresa alemã de sensoriamento remoto, e a R3zis, empresa brasileira de tecnologia agrícola.
Ele já vem sendo testado no interior paulista e terá um piloto em funcionamento em vários municípios de Minas Gerais no fim do ano.
O sistema funcionará como uma espécie de Google Earth, em que as imagens de satélite das propriedades formam uma "base" à qual são adicionadas informações.
Entre elas, dados de solo e clima, tipo de semente plantada e especificações técnicas de cada cultivo.
Para pesquisador da Embrapa Instrumentação Agropecuária, Paulo Cruvinel, as informações chegando mais rápidas ao agricultor facilitarão corretamente na forma de desenvolver o trabalho no campo.
Um dos diferenciais dessa rede de satélites é poder aplicá-las em coberturas de nível nacional, regional e territorial. “Essa tecnologia de satélite viabiliza, juntamente com as ferramentas, cobertura dessas áreas e das diferentes escalas”.
O pesquisador da Embrapa Instrumentação Agropecuária, revela que o investimento inicial do projeto é internacional, da ordem de 280 milhões de Euros, mas segundo Paulo Cruvinel, o importante é o impacto que o sistema causará na agricultura brasileira. “Não se trata de olhar apenas um valor específico, mas olhar o que isso vai impactar no próprio contexto do desenvolvimento, quer dizer, o que isso vai trazer ao longo do tempo de resultado para aqueles que trabalham a terra”.