Com sessões aos sábados, às 20 horas, o Cineclube do Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC) da USP em São Carlos promoverá no mês de maio a seguinte programação:
Dia 05 – ALEXANDRIA
Ágora, Espanha, 2009, Drama, 125 minutos
Direção: Alejandro Amenábar
Elenco: Rachel Weisz, Max Minghella, Oscar Isaac, Ashraf Barhom, Rupert Evans
A Biblioteca de Alexandria funcionava junto a um templo pagão conhecido como Serapeum, dedicado ao deus Serápis, uma divindade egípcia que era uma fusão dos deuses Ápis e Osíris. O cristianismo, que recebera liberdade de culto alguns anos antes, aumentava cada vez mais seu número de fiéis, entrando em choque com a religião e cultura pagã. Esses conflitos levaram à destruição do Serapeum e da Biblioteca que ali existia. O filme relata a história de Hipátia, filósofa e professora em Alexandria, no Egito entre os anos 355 e 415 d.C.. Depois da dominação romana, Alexandria é agitada por ideais religiosos diversos: o cristianismo, que passou de religião intolerável para religião intolerante, o judaísmo e a cultura greco-romana. Surge, portanto, uma verdadeira luta de crenças. De um lado o antigo paganismo, que continua sendo a religião oficial do Império Romano, do outro o novíssimo cristianismo, que estava convertendo muitos pagãos nos últimos tempos. Ainda sob o domínio Romano, o cristianismo começa a ganhar força ante a quase totalidade da população pagã. Isso enfurece as autoridades pagãs que decidem começar uma guerra para acabar com os que acreditam em um deus único. Em meio a esse cenário deplorável de luta e desespero, a única preocupação de Hipátia, a mais extraordinária filósofa da época, é o mistério que envolve o movimento da Terra em torno do Sol. Hipátia e seu pai continuam praticando o paganismo, mas ela não concorda com as recentes atitudes dos pagãos. Em meio à grande confusão gerada pelos judeus, o pai de Hipátia acaba sendo ferido gravemente.
Após a luta entre pagãos e cristãos, Alexandria ficou em paz por um tempo quando os cristãos se apoderavam, aos poucos, da situação e seu líder, Cirilo, dominara a cidade. Devido a situação muitos pagãos acabaram se tornando cristãos. Estes acontecimentos levaram o Império Romano a ser dividido em duas partes. Porém, os pagãos que ainda restaram não ficaram contentes com a nova situação do Estado e criam uma habilidosa armadilha para retomar o poder.
Mariana Joseane Vitulio
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Tema: Liberdade
Contém: Assassinato
Dia 12 – UM DOCE OLHAR
Bal, Turquia, 2010, Drama, 100 minutos
Direção: Semih Kaplanoglu
Elenco: Erdal Besikçioglu, Tülin Özen, Alev Uçarer, Bora Altas
Yusuf é um garoto turco de seis anos que vive com seus pais num município montanhoso próximo a uma floresta. Tímido e retraído, Yusuf está numa fase difícil de sua vida, apesar de sua dedicação, não consegue ler em público. É um garoto muito esforçado na escola e quer ganhar o broche de mérito para dar orgulho a seu pai, mas ele tem problemas com timidez e ansiedade que o impedem de ler os textos em voz alta. Yakup, pai de Yusuf, é seu grande herói, o garoto o olha com orgulho e contemplação enquanto ignora os apelos de sua mãe. Yakup é um simples apicultor que esconde suas colmeias no topo das árvores mais altas para mantê-las distantes de ursos. O pai entende seu filho como ninguém, pois é o vínculo mais forte com o menino. Juntos, eles saem em busca de lugares onde colocar colmeias para a produção do melhor mel. Quando ambos estão juntos, sente-se um amor inigualável entre eles, mesmo que isso nunca seja mencionado.
Porém, quando as abelhas começam a desaparecer, Yakup decide sair sozinho numa viagem para procurar novas colmeias e Yusuf fica isolado em seu próprio mundo. Pequenos dramas permeiam a vida do menino, até que seu pai começa a demorar mais que o esperado para voltar de sua expedição.
Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim, Um Doce Olhar é um típico filme de festival, lento, contemplativo e econômico. Praticamente não há trilha sonora a não ser o barulho do vento, a água da chuva ou os passos do menino Yusuf andando pela lama em seu caminho para a escola. Simplesmente uma singular e belíssima obra.
Mariana Joseane Vitulio
CLASSIFICAÇÃO LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Tema: Jornada
Dia 19 – QUINCAS BERRO D’ÁGUA
Quincas Berro D’água, Brasil, 2010, Comédia, 101 minutos
Direção: Sérgio Machado
Elenco: Paulo José, Marieta Severo, Mariana Ximenes, Vladimir Brichta, Milton Gonçalves, Othon Bastos
Baseado no romance de Jorge Amado, a narrativa conta a história de Joaquim, pai e marido exemplar que, cansado do autoritarismo da mulher, joga tudo para o alto e se muda para uma pocilga com a intenção de apenas curtir a vida e cair na farra. Quincas Berro D’água, como era conhecido por seus amigos de boemia, narra suas duas mortes. A primeira acontece em terra firme, ao contrário do que desejava, pois marinheiro deve morrer no mar, e é lá que ele pretendia morrer pela segunda vez.
Na noite de seu aniversário, Quincas é encontrado morto em seu quarto. Todos sentem-se prejudicados com a morte dele, seus amigos por perderem o tão querido painho e sua família por ter que revelar à sociedade que Joaquim não era um homem admirável como diziam, mas sim um verdadeiro vagabundo. Diante dessa situação, a família resolve apagar os vestígios da fase arruaceira de Quincas e lhe dar um enterro respeitável. Durante o velório surge uma equilibrada luta de classes, os amigos de Quincas estranham o comportamento arrogante da distinta família dele, enquanto a família abomina as atitudes dos amigos que são simples e impulsivos. Inconformados com a morte de Quincas, e acreditando que ele estava pregando uma peça em todo mundo, seus amigos de bebedeira o tomam como vivo e resolvem levá-lo para comemorar seu aniversário, arrastando seu corpo para uma última noite de diversão. Passam pelas ruas, bares, terreiros e puteiros, bebendo a torto e a direito. A certa hora decidem usar um barco para passear no mar, mas uma súbita tempestade lança uma grande onda sobre eles, fazendo com que Quincas Berro D’água tenha a sua segunda e definitiva morte. Surge então uma grande controvérsia. Para a família, Joaquim morreu de causas naturais, para os amigos, Quincas tirou a própria vida ao atirar-se nas águas do mar, pois temia ser enterrado num caixão. Parece uma completa loucura o que os companheiros de Quincas resolvem fazer, mas na verdade ele leva uma vida de morto mais animada de que muito vivo por aí.
Mariana Joseane Vitulio
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Tema: Relacionamento
Contém: Consumo de drogas lícitas, linguagem de conteúdo sexual
Dia 26 – POESIA
Shi, Coréia do Sul, 2010, Drama, 139 minutos
Direção: Chang-dong Lee
Elenco: Jeong-Hie Yun, Da-Wit Lee, Sang Ahn, Hira Kim, Yong-taek Kim
Mija é uma senhora muito elegante, porém não possui grandes riquezas. Para sustentar seu neto, de quem cuida desde que a filha foi embora, ela trabalha tomando conta de um idoso. Sentindo fisgadas no braço, Mija decide procurar um médico. Porém o que realmente o preocupa não é o motivo de reclamação de Mija, mas sim a frequência com que ela vem esquecendo de palavras simples e cotidianas.
Devido ao comportamento estranho do neto, desde que uma garota de seu colégio cometeu suicídio, Mija decide se ocupar de algo que goste, poesia, buscando nas palavras retardar o esquecimento. É então que ela começa perceber o mundo de uma forma inteiramente diferente, procurando em simples coisas a verdadeira beleza de um poema. Em meio a este contexto singelo e tranquilo, Mija acaba descobrindo uma terrível verdade que liga a morte da jovem a seu neto.
O roteiro, premiado no Festival de Cannes 2010, explora com certa melancolia e poderosa carga dramática os dissabores da solidão e do envelhecimento. O diretor Chang-dong Lee tornou sua belíssima visão poética da morte em uma exposição rude e encantadora da necessidade de partir. Ele trabalha com essa delicada questão expondo suas causas, mas não a mostra como algo natural e aceitável.
Vencedor do Prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes, Poesia é deliberadamente um filme poético e envolvente. Em diversos momentos Mija aparece tão frágil que dá ao expectador vontade de protegê-la. É algo belíssimo e satisfatório vê-la observando o mundo com os olhos de um poeta, como se ela conseguisse imortalizar-se através das palavras.
Yoon Hee-jeong, que interpreta Mija, já fez mais de 300 filmes e há 15 anos não filmava. Chang-dong Lee diz que escreveu Poesia especialmente para ela.
Mariana Joseane Vitulio
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Tema: Poesia
Contém: Estupro, suicídio
Apoio Cultural VIDEO 21
As sessões serão realizadas no CDCC, que fica na Rua Nove de Julho, 1227, Centro.
Mais informações:
Tel.: (16) 3373-9772
E-mail: cdcc@cdcc.usp.br