O palestrante será Richard Samuel Lingner, integrante atual do Núcleo de Tecnologia da Informação e da equipe de tecnologia da Disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da USP, desde 2010.
Resumo:
A forma como sistemas de informação e comunicação, assim como as informações geradas e armazenadas nos mesmos, são projetados, desenhados, desenvolvidos, implantados e distribuídos, influencia diretamente sobre a usabilidade e as possibilidades de uso dos cidadãos. Enquanto sistemas de governo eletrônico tradicionais buscam fornecer serviços e informações de maneira padronizada, muitas vezes o cidadão não é tão considerado quanto deveria, resultando em interfaces adequadas para máquinas e programadores, porém inadequadas para pessoas comuns.
A falta de capacitação, de acesso a recursos tecnológicos necessários, ou de interesse da população, em relação às atividades governamentais, são empecilhos para o correto funcionamento de democracias. Deve-se ponderar quais informações, ferramentas, direitos e deveres estarão disponíveis aos cidadãos, de forma a habilitá-los a exercer cada vez mais participação nas decisões que têm potencial de afetá-los, e de maneira que seja reduzida a probabilidade de que surjam, nos governos suportados por novas tecnologias, características tiranas, corruptas, limitadoras de direitos e da autonomia dos cidadãos. Ferramentas de auxílio à memória e ao raciocínio lógico humanos (ex: mapeameadores de argumentos) podem ser empregadas em processos decisórios governamentais, desde que haja ciência de suas limitações, principalmente em relação a questões morais e éticas. Por fim, sistemas de governo eletrônico devem possuir arquitetura que leve em conta as fragilidades e dependências técnicas de cada tecnologia empregada, de forma a minimizar o risco de um "apagão governamental" devido à ataques ou eventos naturais.
O evento será realizado no Auditório Luis Fávaro - Bloco 4, que fica no campus 1, Av. Trabalhador são-carlense, 400.