O Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC) da USP em São Carlos promoverá o Ciclo: "Genésio Arruda, um Ator de São Carlos no Cinema Nacional" em seu Cineclube, no mês de abril, com sessões aos sábados, às 20h, e entrada franca.
Genésio Soares de Arruda Júnior nasceu em Campinas, SP, em 28 de maio de 1898. Cria-se em São Carlos. Começa sua carreira artística no circo. Sua estréia profissional acontece em 1923, na peça O Caipira de Tinguá, na Companhia Mário Freire. Com Tom Bill, funda a Companhia Disparates Cômicos, apresentando-se por todo o Brasil.
Estreia no cinema em 1924 no filme Vocação Irresistível, levando para as telas o primeiro caipira brasileiro, que mais tarde inspiraria Mazzaropi. Em 1931 dirige seu primeiro e único filme, O Campeão de Futebol. Ainda no cinema, participa de muitos outros como Acabaram-se os Otários (1929) e Tristeza do Jeca (1961). Atua também nas rádios Record e Bandeirantes. Na televisão, faz, durante um ano, programa de circo de muito sucesso. Com sua família, forma um conjunto típico, apresentando-se pelo interior de São Paulo. Seus três últimos filmes são com Mazzaropi, numa sincera homenagem deste ao seu ídolo. Morre em 1967, aos 69 anos de idade. (Fonte: “Astros e Estrelas do Cinema Brasileiro”, de Antonio Leão da Silva Neto).
FILMOGRAFIA
1924- VOCACÃO IRRESISTÍVEL; 1929- ACABARAM-SE OS OTÁRIOS; 193O- LUA-DE-MEL; CANÇÕES BRASILEIRAS; 1931- O BABÃO; CAMPEÃO DE FUTEBOL; SOB O ARMÁRIO; TOM BILL BRIGOU COM A NAMORADA; 1941- O DIA É NOSSO; 1952- O MISTÉRIO DO CAMPO SANTO (INACABADO); 1955- CARNAVAL EM LÁ MAIOR; 1960- AS AVENTURAS DE PEDRO MALASARTES; ZÉ DO PERIQUITO; 1961- TRISTEZA DO JECA.
03/04 – NÃO HAVERÁ SESSÃO
Sábado, dia 10
O DIA É NOSSO
Brasil, 1941, Comédia, 60 minutos
Direção: Milton Rodrigues
Elenco: Genésio Arruda, Oscarito, Paulo Gracindo, Nelma Costa, Roberto Acácio, Pinto Filho, Manuel Rocha, Ferreira Maia, Janir Martins, Pedro dias, Brandão Filho, Sandy Cabral
É fundamental que o espectador adote uma perspectiva ingênua para poder apreciar corretamente este filme, pois o comportamento dos personagens é bastante teatral e a direção não privilegia a dinâmica entre eles, além de que a ambientação das ações se dá no início da década de 1940, o que dificulta a identificação com os personagens, que já são bastante caricaturais.
Mas é, sem dúvida, um bom filme e uma engenhosa sátira de costumes que serve muito bem para divertir, principalmente pela atuação de Genésio Arruda, que demonstra bastante naturalidade ao incorporar seu famoso tipo caipira.
Na cidade de Estrela vários amigos se reúnem em um bar de um simpático português. Dentre eles encontra-se Guarabira (Genésio Arruda), uma espécie de caipira-vagabundo que com muita irreverência, dispara verdades frente a hipocrisia dos habitantes.
E tais verdades virão ainda mais à tona quando descobrirem que um dentre poucos bilhetes de loteria que acabaram de ser vendidos por lá, foi premiado. Acontece que o dono de cada um desses poucos bilhetes é figura importante da comunidade e para piorar, todos os bilhetes haviam sido trancados no cofre do banco da cidade logo antes de ser anunciado o prêmio. Assim, com a ajuda de Guarabira, as máscaras irão cair.
Os diálogos do filme foram escritos por José Lins do Rego e realmente são de qualidade.
Ao fim da exibição deste filme serão exibidos cerca de dois minutos da produção “Acabaram-se os Otários”, primeira produção nacional sonorizada, que também conta com Genésio no elenco, sendo que o filme completo está perdido.
Bruno Mialich
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Tema: Malandragem
Sábado, dia 17
AS AVENTURAS DE PEDRO MALASARTES
Brasil, 1960, Comédia, 95 minutos
Direção: Amácio Mazzaropi,Osmar Porto, Mauro César
Elenco: Amácio Mazzaropi, Genésio Arruda, Geny Prado, Dorinha Durval, Benedito Liendo, Nena Viana, Alvim Fernandes, Kleber Afonso, Nicolau Guzzardi, Noemia Marcondes, Augusto Machado de Campos, Oswaldo de Barros.
A importância de Amácio Mazzaropi para a cultura popular brasileira é muito grande, pois ele certamente foi uma das pessoas que mais conseguiu levar o grande público para as salas de cinema e, sendo seus filmes acima de tudo entretenimento, é interessante notar como a comédia tem papel relevante para os brasileiros de tal forma que pode trazer a reflexão de uma forma suave e com pouco intelectualismo.
No âmbito do domínio das técnicas cinematográficas, se Mazzaropi não foi um prodígio, pelo menos fez filmes muito decentes, com alguma criatividade e de uma simplicidade que se ajusta perfeitamente à temática das obras, sendo que tal clima rústico mais se adéqua a proposta do que depõe contra.
É interessante notar que os personagens interpretados por Mazzaropi buscam verossimilhança com o caipira da primeira metade do século 20, de tal forma que sua caracterização mais do que romancear, busca trazer as características mais proeminentes da parcela rural da população e com elas levar para o público um pouco deles mesmos.
Neste filme, Mazzaropi é Pedro Malasartes, um matuto que é passado para trás pelos irmãos que tomam para si a herança do pai deles e deixam Pedro unicamente com um tacho e um ganso. Saindo pelo mundo, ele encontra um grupo de crianças órfãs que pedem para acompanhá-lo nessa jornada rumo a lugar nenhum. Sem dinheiro, ele começa a fazer algumas trapaças com pessoas de má fé, mas tais enganações, apesar de quase inocentes, levam aqueles que foram enganados a perseguir Pedro que tenta escapar junto com seu grupo de órfãos, enquanto muita confusão acontece.
O filme é muito divertido e é lúdico de tal forma que é difícil não simpatizar com a história e os personagens. Pedro é uma espécie de anti-herói que com sua simplicidade, mas também com sua astúcia, batalha por objetivos humildes e que certamente não faz mal para ninguém.
A presença de Genésio se dá quando Pedro, ao tentar escapar da prisão, depois de ser capturado em um saco de pano, através de sua astúcia troca de lugar com ele.
Bruno Mialich
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Tema: Esperteza caipira
Sábado, dia 24
A TRISTEZA DO JECA
Brasil, 1961, Comédia, 95 minutos
Direção: Amácio Mazzaropi, Milton Amaral
Elenco: Amácio Mazzaropi, Genésio Arruda, Geny Prado, Roberto Duval, Maracy Melo, Nicolau Guzzardi, Anita Sorrento, Eugenio Kunset, Augusto César Vanucci
Os filmes do Mazzaropi sempre foram grandes sucessos de público, a despeito das críticas que os intelectuais sempre fizeram às suas obras. Assim, sabendo do seu poder de influência frente à população brasileira, é de certa forma admirável que ele tenha se preocupado em também instruir seus espectadores além de fazê-los rir, uma vez que a realidade brasileira não se preocupa muito com a educação dos mais desfavorecidos.
Neste Tristeza do Jeca serão expostas diversas mazelas das estruturas do poder econômico que existiam (e ainda existem) no meio agropecuário.
Jeca é um matuto que mora na fazendo do Coronel Felinto com sua família e vários outros colonos. Apesar de sua simplicidade, ele é visto como formador de opinião pelos seus vizinhos e os poderosos da região sabendo disso, resolvem contar com o apoio dele para as eleições que estão próximas. A disputa é focada entre o Cel. Felinto e o Cel. Policarpo (interpretado suave e simpaticamente por Genésio Arruda). No entanto, por estar relativamente frágil, Cel. Policarpo é representado por Cel. Bonifácio, que ganhará muito mais dinheiro e poder se seu representante for eleito.
Como forma de ganhar a simpatia do Jeca, Cel. Bonifácio elabora um plano para que seu filho faça a filha do Jeca se enamorar dele, ao mesmo tempo em que organiza um rodeio a là Panis et Circensis (política do pão e circo) e convida o povo para participar, sendo que naturalmente haverá um comício em tal rodeio.
O filme mostra como a mobilização do voto popular se dá por meio de opressões e barganhas nas regiões mais interioranas do Brasil, e também como que a triste realidade dos nossos governantes de quer enriquecer cada vez mais, pouco se importando com as condições de vida dos trabalhadores que sustentam nas bases mais primitivas, tal sistema de desigualdades.
Também sugere que a mobilização popular é imprescindível para a realização de mudanças e é justamente nesse ponto que fica mais evidenciada a veia pedagógica do filme no sentido de conscientizar a população sobre sua infelicidade e possibilidades de melhorias.
Bruno Mialich
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Tema: Desonestidade eleitoral
O CDCC fica na rua Nove de Julho, 1227, Centro.
(+) informações:
Tel.: (16) 3373-9772
E-mail: cdcc@cdcc.usp.br