O maior vestibular do país anuncia mudanças para 2010. Uma das principais modificações anunciadas pelo Conselho de Graduação é a desconsideração da nota da primeira fase para o resultado final, o que visa aprimorar a seleção pelo mérito. "Estudos e análises realizados pelo GT [Grupo de Trabalho] Vestibular demonstraram que o desempenho na primeira fase tem sido pouco preditivo do bom aluno que se revela na segunda fase".
A afirmação é da a pró-reitora de Graduação da USP, professora Selma Garrido Pimenta. Ela concedeu entrevista coletiva sobre a reforma nessa quinta-feira (16), e disse que não há motivos para aflição entre os estudantes que já vêm se preparando para o exame.
As novas características da prova da Fuvest para ingresso nos cursos de graduação da USP não representam uma total ruptura do que já vem sendo realizado, sendo mantidas as mesmas disciplinas e seus respectivos programas.
Assim, a primeira fase permanece com 90 questões objetivas, sem nenhuma alteração na proporção entre as disciplinas e no tempo de prova, mas a nota obtida servirá apenas para levar ou não o vestibulando para a próxima etapa, não sendo computada para a classificação final. “No último ano tivemos cerca de 122 mil candidatos inscritos disputando as 10.557 vagas de que a USP dispõe, e ainda precisamos manter um vestibular bastante seletivo”, explica a professora.
Provas
Além disso, com o objetivo de valorizar o conjunto das disciplinas, as questões abertas da segunda fase passam a contemplar todas as disciplinas da primeira, e não apenas as selecionadas para cada carreira.
A partir de agora, a distribuição de cada disciplina na segunda fase será feita da seguinte forma: primeiro dia, para todos os candidatos, prova de redação e 10 questões discursivas de língua portuguesa, com a duração de quatro horas; segundo dia, para todos os candidatos, prova com 20 questões discursivas contemplando os conteúdos das disciplinas de biologia, química, física, matemática, história, geografia e inglês, sem divisão rígida entre as disciplinas, sendo que uma mesma questão poderá abordar o conteúdo de mais de uma delas; terceiro dia, prova com 12 questões contemplando duas ou de três disciplinas, a depender da carreira escolhida.
A divisão será equânime entre as disciplinas, seis de cada uma das duas, ou quatro de cada uma das três. As provas do terceiro dia terão o mesmo peso das demais; a única diferença é que cada unidade responsável por determinada carreira é quem definirá as disciplinas escolhidas.
Segundo Selma, o novo formato da prova foi definido a partir de discussões contínuas realizadas pelo Conselho e pelo GT Vestibular, sempre se respaldando em estudos qualificados. Além disso, procurou-se atender às demandas dos próprios estudantes, a exemplo da distribuição de dias e horas de provas, que muitas vezes era motivo de cansaço e estresse entre os mesmos.
A professora também tranquiliza os candidatos em relação ao anúncio da relação de disciplinas do terceiro dia por carreira: “a divulgação será feita de maneira antecipada, no máximo na data da divulgação da resolução do vestibular – mas estamos fazendo um esforço para que este anúncio seja feito antes mesmo disso.”
Bônus
O peso do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) na nota final permanece inalterado, correspondendo a 20% da nota da primeira fase. Os programas Inclusp e Pasusp também seguem sua programação normal. A manutenção se deve aos bons resultados que a Universidade vem obtendo em sua meta de ampliar o número de egressos de escolas públicas em seus quadros. No último ano, 30,1% dos ingressantes correspondiam a este perfil.
Mas a pró-reitora afirma que as mudanças específicas que estão sendo anunciadas não são direcionadas a privilegiar nenhum segmento de alunos, seja de escola pública, privada ou cursinho. Para isso, já existe o conjunto de bônus oferecidos, inclusive o Pasusp, cuja escolha em participar ou não cabe ao candidato.
Questionada se há mais mudanças em vista, a professora reiterou que nada neste tipo de processo “é feito de forma brusca”. Mas sim, há uma agenda de avaliações para possíveis mudanças, com destaque para um projeto de unificação da primeira fase entre as três universidades estaduais paulistas: USP, Unesp e Unicamp. “Estas três instituições têm características muito parecidas, mas também têm suas especificidades que devem ser preservadas. Para avaliar como isto pode ser feito ainda temos que nos debruçar sobre esta proposta”, conclui.